Artigo publicado no jornal "Gazeta do Povo" sobre o livro

Com mais de 100 milhões de cópias vendidas nos 40 idiomas para os quais foi traduzido, o livro "O Senhor dos Anéis", do escritor inglês J. R. R. Tolkien, é considerado o livro do milênio, ficando atrás apenas da Bíblia Sagrada, em termos de vendagem. A publicação trouxe à tona um gênero literário pouco conhecido e, até então, apreciado por uma minoria, o chamado "alta fantasia". "São histórias que se desenrolam em mundos desconhecidos, algo situado num momento ou lugar que não possui relação evidente com a realidade em que vivemos", explica o escritor Jorge Luiz Vieira Tavares, que resolveu encarar o desafio de criar civilizações paralelas e arriscar-se em um gênero pouco produzido (e respeitado) no Brasil, logo em seu livro de estréia, intitulado "A Guerra das Sombras".
Com apenas 28 anos, Tavares vive em Brasília, onde foi aluno do curso de formação de diplomatas no Instituto Rio Branco e trabalha no Ministério das Relações Exteriores. Ele retorna nesta semana a Curitiba para o lançamento da primeira parte de "A Guerra das Sombras", batizado de "O Livro de Dinaer". "É uma guerra que ameaça a vida do protagonista e de sua família que se vê obrigado a buscar uma maneira de sobreviver", resume o autor.
Com cerca de 1400 páginas ao todo, "A Guerra das Sombras"é dividido em quatro partes, que vêm sendo escritas por Tavares desde o início de 2000, época em que completou a graduação em Direito na UFPR. Atualmente, o escritor e diplomata trabalha no último volume da história que deve estar pronto até o final do ano. O próprio autor batalhou pela publicação do livro, enviando cópias dos dois primeiros volumes a diversas editoras, até que a Novo Século decidiu publicar o título em uma coleção para autores inéditos. "Foi difícil, a concorrência é muito grande. Das várias editoras para as quais enviei o livro, essa era uma das poucas em cuja linha editorial meu trabalho se encaixava", lembra.
Apesar de agradável, a comparação com Tolkien é para Tavares algo fora de cogitação, visto que seu livro tem uma tiragem inicial de apenas dois mil exemplares. Para ele, o desafio é fazer seu livro chegar ao público leitor de alta fantasia e ultrapassar o preconceito existente em relação ao gênero. "O prazer de narrar está ligado a escrever sobre o que gostamos, sobre o que nos é relevante, da maneira que achamos mais interessante, sem nos preocuparmos se essa forma é considerada canônica ou não", analisa.
Autora: Juliana Girardi
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