Forma de contar o tempo

1. Introdução. Um dos maiores tesouros do conhecimento humano é a percepção da existência do tempo e a sua contagem. Este conhecimento nos é ancestral. É, pode-se dizer, tão antigo quanto o próprio tempo. Na verdade, nós não sabemos quem idealizou o nosso sistema decontagem. Ele chega até nós transmitido de geração em geração. Foi forjado em um passado ancestral que desconhecemos.
Estranhamente parece ser bastante universal, apesar de seu teor grandemente convencional. As influências das diversas culturas, porém, não parecem alterá-lo significativamente, mantendo-se não só a mesma lógica, mas também as mesmas nomenclaturas (com uma ou outra variação), o que é um dado bastante curioso e que aponta para uma origem comum, no período que antecede à grande decadência.
2. O dia. O dia é a primeira unidade do sistema. Quase todas as culturas dividem o dia em manhã, tarde e noite, o que parece se dever a um imperativo de natureza lógica. Algumas culturas o dividem também em períodos de tempo mais limitados, chamados de horas. Dependendo da duração dada a este período, o dia é composto de mais ou menos horas. Algumas culturas dividiram o dia em oito horas, outras em quinze, outra em trinta e seis, outras ainda em vinte e quatro (como é o caso de Delon). (...) Este sistema de divisão é mais ou menos inútil na medida em que é muito difícil se saber quanto tempo leva uma hora, salvo quando se tem um relógio solar por perto (mesmo assim a hora varia conforme o período do ano), ou uma ampulheta. Há, porém, registros que em certas cidades confederadas existe o que chamam de relógios hidráulicos, que, pelo que se comenta, são bastante precisos.
3. Meses e anos. O conjunto de seis dias forma o sexto. O conjunto de seis sextos forma o mês. Assim, o mês tem trinta e seis dias. Esta contagem ancestral dos dias em sextos e meses é quase que universal em todas as culturas civilizadas conhecidas. O conjunto de dez meses formam o ano (ou ano menor), que tem, por conseguinte, trezentos e sessenta dias. Atribuiu-se um nome a cada um dos dez meses do ano. Do primeiro ao último, com as variações que possuem de um povo a outro, são as seguintes: 1- apo, 2 - dis (dirc, ou diarc), 3- gras (ou grat), 4 - bem, 5 - sin, 6 - noc, 7 - atic (ou ateit), 8 - lod, 9 - zio 10 - tar. Estes nomes, a princípio, parecem pouco significativos, e são mesmo. Isto se deve ao fato de não representarem uma palavra completa. Na verdade são apenas meros radicais (surgidos, acredita-se, de nomes de deuses antigos), partes de uma palavra. Existe uma razão para este fato, como se explicará a seguir.
Há duas formas de nomear a data de um determinado mês. A primeira é a forma vulgar, generalizada entre nós e entre a maior parte dos povos. A forma vulgar é mais simples e consiste apenas no nome do mês precedido ou sucedido pelo número correspondente ao dia. Assim, temos tar-10 ou 10-tar. Existe, também, a pouco utilizada forma culta . Nesta os sextos também ganham nomes que são sufixos, os quais se agregam ao radical do mês. Os nomes dos sextos são estes: 1 – nal 2 – noel 3 – ral 4- roel 5 – lal 6 – loel. A data também acompanha o nome do mês e do sexto. Seu número, porém, varia apenas de um a seis. Deve-se agora citar alguns exemplos de datas na linguagem vulgar e a correspondente construção em linguagem culta:
I – apo-5 aponal-5
II – dis-15 disral-3
III – lod-22 lodoel-4
IV – zio-35 zioloel-5
Em resumo, então, temos o seguinte quadro:
Meses Sextos
1- apo 1- Nal
2-dis (dirc ou diarc) 2- Noel
3-gras (grat) 3- Ral
4-bem 4- Roel
5-sin 5- Lal
6-noc 6- Loel
7-atic (ateit)
8-lod
9-zio
10- tar
A linguagem culta é um pouco complexa, daí ter sido abandonada no uso corrente. Entretanto, ainda é bastante utilizada na linguagem escrita, sendo, portanto, interessante conhecê-la.
4. As estações do ano. Nem todos os lugares têm estações bem definidas. A tradição, porém, determina a existência de quatro estações do ano: verão, outono, inverno e primavera. As características de cada estação não são nosso objeto aqui. Basta dizer que cada uma delas dura dois meses e meio, ou seja, dois meses e três sextos. Observe-se o seguinte quadro, com início e fim de cada estação (em Delon):


Estação

Início

Fim

Verão

Talroel

Disloel

Outono

Grasnal

Sinral

Inverno

Sinroel

Aticloel

Primavera

Lodnal

Taral


5. A contagem dos anos. O ano de 360 dias é conhecido também como ano pequeno, ou pequeno ciclo. O período de 36 anos é conhecido como o médio ciclo, ou ano vital. O porquê deste último nome (determinado pela tradição) é desconhecido. Como hipótese consideramos que visa este período contar o tempo de vida das criaturas superiores. Assim, o ser humano viveria de 2 a 2.5 anos vitais. Não sabemos ao certo. Bem, o período de dez anos vitais (360 pequenos anos) forma o grande ciclo, também conhecido como médio ano ou ainda hora cósmica. Dez horas cósmicas formam o dia cósmico, também conhecido como grande ano (que corresponde ao período de 3600 anos pequenos). Finalmente temos o ano cósmico, que é formado por 360 dias cósmicos, portanto por 1.296.000 anos pequenos. Medidas como o ano cósmico e o dia cósmico são inúteis para a nossa contagem do tempo. Não passam de meras curiosidades. Outras, como a hora cósmica e o ano vital, são bastante utilizadas .

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