História da Ilha Zainíquia
Primeira Era de Larcon:
Principais eventos da Primeira Era de Larcon (trecho retirado da parte conclusiva da obra de Jion Silai – “Vida e feitos dos líderes da Primeira Era”)
Por tudo que já se abordou nesta obra até agora mostra-se possível, num esforço de síntese, resumir os principais acontecimentos da Primeira Era ou Terceiro tempo Siliarca (na visão dos Filhos do Fogo) da seguinte forma:
1
Ascensão de Larcon: Nosso fundador, inspirado por Naquicar, derrota a besta Crion e assume a liderança do clã do sul que passa a ser conhecido como filhos do fogo (os tairons).
20
Início da I Guerra entre Filhos do Fogo x Filhos do Aço: Larcon, em pessoa, comanda os filhos do fogo em sua primeira guerra contra a tribo dos lamirianos, integrantes do clã de guerreiros conhecido como dicarianos. Estes homens mostrar-se-iam extremamente ferozes no campo de batalha, de modo que ganharam a alcunha de “filhos do aço”.
30
Fim – I Guerra entre Filhos do Fogo x Filhos do Aço: Depois de vitórias de reveses, os filhos do fogo conseguiram um acordo vantajoso pelo qual anexavam a região da Lamíria.
70
Morte de Larcon: Aos noventa e dois anos, morre o fundador do Império. Esta é, ao menos, a idade que estabelecem as lendas.
100
Início – II Guerra entre Filhos do Fogo x Filhos do Aço: No ano de 130, inicia-se a segunda dinastia (os Nossilai) com a morte sem herdeiros do último descendente direto de Larcon num combate com os dicarianos que haviam resolvido reconquistar a Lamíria. Encerra-se, assim, a dinastia Larcoena.
140
Fim – II Guerra entre Filhos do Fogo x Filhos do Aço: Anexação total da Terra do Aço ocorreu após uma série de embates em que se destacou pelo lado dos tairons o grande general Arcar Nossilai — que se tornaria o primeiro larcon da nova dinastia. Pelo lado dos dicarianos destacou-se o lendário Vadicar. Ele sempre fora contrário a tentativa de reconquista da Lamíria, mas comandou as tropas com uma competência sem igual. A vantagem numérica dos tairons era evidente, no entanto, de modo que nem mesmo ele pôde evitar a derrota. Refugiou-se em sua fortaleza, a qual nunca se logrou tomar durante sua vida. Acredita-se que tenha caído no controle dos tairons no ano 140.
312
Início – I Guerra entre Filhos do Fogo x Aliança (liderada pelo reino de Onerabiam): A aliança era um conjunto de reinos norgam que se concentravam ao norte da grande ilha. Como membros da tribo de Cigorat, eram excepcionais navegadores e muito prósperos também. Seu nível de civilização era bem superior ao dos tairons e dos dicarianos de então. Os primeiros contatos foram travados a partir do ano duzentos. Os tairons que visitavam Lor-Zainan (ou Lorai-Eianam na língua local), a capital do Reino de Onerabiam, ficavam espantados com sua riqueza e com o refinamento de seu povo. O espanto não tardou a se converter em inveja. O último larcon da segunda dinastia, Atar Nossilai, iniciou uma campanha que visava anexar o Reino de Zamiar-Acsoem que ficava na região da atual Terra da Pedra. De fato, o reino de Acsoem não era muito forte, embora fosse rico, possuindo em seu território numerosas minas. O que o Larcon não previa, porém, era que todos os reinos norgam se unissem contra os tairons. O apelo dos Acsoem para que os civilizados formassem uma grande aliança contra aqueles bárbaros foi bem sucedido. Consta que foi o Rei Lemi Acsoeni quem cunhou e usou pela primeira vez o termo Império das Sombras, para designar os tairons.
328
Fim – I Guerra entre Filhos do Fogo x Aliança: Como era de se esperar, a guerra findou com a vitória da completa da Aliança e o início do Segundo Cativeiro (pois o primeiro fora para Crion). Um nobre estrangeiro reinou em Naquicaron. O período do cativeiro foi marcado por um grande desenvolvimento da civilização dos tairons. A influência da cultura norgam foi sentida em toda a sua força.
529
Fim do Segundo Cativeiro com a grande restauração e início das guerras de reconquista dos territórios perdidos: Ircon I, general do Império, assume o trono, após uma bem sucedida conspiração, na qual depôs o último Imperador estrangeiro, Orugan Zan-lionast. O grande erro dos norgam foi ter permitido que os tairons permanecessem um reino separado, ainda que sob o comando de um nobre estrangeiro. Eles, por certo, sabiam que isto poderia tornar-se um problema, mas como eles próprios eram divididos em pequenos reinos, não teriam como entregar as terras conquistadas a apenas um dos membros da Aliança. Isto facilitou (e muito) o trabalho dos tairons quando estes depuseram o rei norgam. Explorando as divisões entre os norgam e por meio de moderadas concessões, conseguiram evitar de que tropas do norte reprimissem a rebelião. Inicia-se, deste modo, a terceira dinastia, os Morivai.
620
Fim das Guerras de Reconquista: A vitória é dos filhos do fogo que tomam os territórios, anexando inclusive uma parte da atual Terra da Pedra. Desta vez, o reino de Acsoem caiu sobre o domínio dos zainiquiares. Isto só aconteceu porque Ircon III, o larcon de então, procurou não repetir os erros do passado. Antes de atacar os Acsoem, explorou com sucesso as divisões entre os povos norgam e costurou alianças com o reino Zamiar-Abiam (sito na região onde hoje se encontra a Terra do Vento). Evitou, assim, a formação de uma nova aliança contra os tairons.
713
Ascensão de Narbucar III (o Imperador legionário) e início da Guerra entre os Filhos do Fogo e a Segunda Aliança: Na época de Narbucar Morivai os tairons já se haviam tornado um império tão poderoso quanto os reinos do norte, mesmo tomados conjuntamente. Isto se deveu em parte ao desenvolvimento da civilização ocorrido durante o segundo cativeiro, ao vasto território unificado sob o controle de Naquicaron e à forte receita gerada pelas minas de ouro em Acsoem. Os tairons não eram mais os simplórios de outrora.
720
Fim da Guerra entre os Filhos do Fogo e a Segunda Aliança: A vitória é dos filhos do fogo que anexam as atuais a Terra do Vento e o restante da Terra da Pedra. A guerra, porém, não foi nada fácil. Houve insubordinação, principalmente nas tropas de origem norgam que lutavam do lado zainiquiar. Por vezes, parecia que a nova aliança, sob o comando de um Zangalast, seria vitoriosa. O grande Narbucar, enquanto liderou os zainiquiares, conseguiu numerosas vitórias em batalhas ao longo do rio que hoje leva o seu nome. Seu maior feito foi a destruição de diversas fortalezas do reino de Abiam, o que mais tarde seria determinante para a vitória dos tairons. Morreu, porém, na batalha em que foi tomada a Fortaleza do Vento (ano 718). Seu filho Jeron Morivai mostrou-se um incompetente, de modo que dois anos após a morte de seu pai, estava acuado em Naquicaron, cercado pelas tropas inimigas. O general Meroneu Norbest, porém, conseguiu reverter o rumo do conflito contra os norgam, que, no momento crucial, pecaram pelo excesso de confiança. Por motivos pessoais, o general destronou o Imperador Jeron iniciando a quarta (e última) dinastia — os Norbest.
730
Ascensão de Tiuron II – O Imperador legislador: O filho de Meroneu entrou para a história como o homem que iniciou uma fase de prosperidade e unidade para o Império, ao criar o Conselho de Escaelos. Consta que, quando menino, Tiuron Norbest ficou impressionado com a crueldade de seu pai para com os norgam. O Larcon tinha escravos desta etnia e os maltratava terrivelmente. Tiuron, porém, era um profundo admirador da cultura norgam e compreendia o ressentimento dos reinos do norte. Ao mesmo tempo, estava profundamente intrigado pela obra de um sábio tairon, de nome Escaelos, que fora perseguido durante sua vida por pregar uma estranha forma de governo. Logo percebeu que o sábio estava correto em suas conclusões e acalentou o desejo de implantar a inusitada solução por ele proposta. Manteve, porém, em segredo seus desejos até a morte do tirano Meroneu.
735
Criação formal do Império das Sombras e dos clãs Fim da quarta dinastia (que só teve dois reis e só durou formalmente quinze anos – embora Tiuron II tenha governado até 773): Tiuron criou os clãs, delimitou seu território e implantou o Conselho de Escaelos. Em 740 ocorre a primeira reunião do Conselho. Nesta reunião, discutiu-se uma série de pormenores e confirmou-se a permanência de Tiuron como Larcon até a sua morte.
810
Início da III Guerra entre os Filhos do Fogo x Remanescentes ainda não anexados dos norgam: Apesar de em menor número o reino de Onerabiam resistiu bravamente durante todo o conflito, chegando a obter numerosas vitórias, sempre tirando proveito do desejo de independência das regiões conquistadas. Provavelmente teria sido bem sucedido, se o Conselho não tivesse sido criado. Este órgão propiciaria a necessária alternância de poder entre as Grandes Casas e a absoluta igualdade jurídica entre elas. Desta forma, os ímpetos separatistas foram muito minorados.
862
Fim da III Guerra entre os Filhos do Fogo e remanescentes norgam: O reino de Onerabiam é integrado por completo ao Império das Sombras. Lor-Zainan passa a ser a capital dos Filhos da Água (que até então eram sediados em Ainog-Zainan).
1314
Invasão do Império Ciliano à Cidade do Portal: Esta data é considerada como o fim da Primeira Era que foi marcada basicamente pelas guerras de unificação. A partir da primeira guerra contra o Império Ciliarca ou Ciliano, uma nova era de conflitos inicia-se para o Império que agora unificado deve enfrentar inimigos externos.
Conclusão
Este grosso resumo mostra os principais acontecimentos da Primeira Era, mas está longe de ser exaustivo. É de fato bastante incompleto, mas fornece um panorama geral do período. Cabe ainda lembrar ao leitor que até o ano de 718, quando Narbucar III fundou a Academia Filosófica (de Naquicaron) na região do Lago de Cristal, iniciando assim as anotações oficiais, os anos por nós estabelecidos são meras estimativas aproximativas, pois a tradição oral e os documentos de que dispomos não permite dar-lhes precisão maior do que esta. Tami e Escaelos pecam quando deixam de fazer essa ressalva.
Segunda Era de Larcon:
Noções da Segunda Era de Larcon (trecho retirado da obra de Linor Zolcrat – “Quinto estudo histórico da Academia Filosófica de Naquicaron”)
Finalmente chegamos à conclusão de nossa obra, que foi feita não só por mim, Linor Zolcrat, mas também por todos os sábios que pertencem à Academia Filosófica do Lago de Cristal. Para todos aqueles que colaboraram na realização deste trabalho nossos sinceros agradecimentos, pois está além da força de um só homem o difícil trabalho de leitura de um sem número de obras da Grande Biblioteca. Também seria impossível para uma só alma a seleção do conteúdo relevante dentro dessas obras. É um estudo que pretendeu ser profundo, ainda que incompleto. Resta, finalmente, apresentar uma ou outra ressalva dos autores e um breve apanhado geral dos conteúdos abordados, para que então possamos encerrar. (...)
Deve-se justificar o porquê de se ter utilizado durante todo o livro o termo idade em vez de era, como sempre fizeram os autores clássicos, como Silai e Tami. Não é difícil de se entender. Na verdade, nossa história se divide em três períodos:
1. Período nebuloso (ou primeiro tempo siliarca): são tempos desconhecidos, em que os silai - o povo dos arquivos - ainda não tinham migrado para a Terra das Sombras. Este período termina com a grande decadência e a migração do lendário Liurom e seus seguidores para nossa ilha.
2. Período heróico (ou segundo tempo siliarca): os silai chegam à Terra das Sombras e começam a conquistar as terras selvagens. É a época da lenda da besta Crion e da grande escravidão (Primeiro Cativeiro). Se a lenda é verdadeira ou não, não pode haver conclusão definitiva. O que se pode dizer é que muitos de nós acreditam ser ela apenas um símbolo da conquista das terras selvagens pelos homens. O período heróico termina com a ascensão do primeiro rei dos filhos do fogo, Larcon.
3. Período imperial (terceiro tempo siliarca): é o tempo em que estamos agora, que se caracteriza pela existência do Império das Sombras. Ele se divide em duas idades:
3.1 A idade da unificação ou da consolidação, que vai até o ano de 1314.
3.2 A idade da união, que é a idade atual, caracterizada pelas guerras externas.
Para os clássicos, a idade da união seria a Segunda Era (ou quarto tempo siliarca). Isto não é verdade, pois não houve uma ruptura como ocorre na passagem de eras. Prova disso é que o tempo continua sendo contado a partir da ascensão de Larcon, e não com um novo marco inicial. (...)
Resta apresentarmos, a exemplo de Silai e antes dele de Escaelos e de Ionat, um quadro elucidativo dos principais acontecimentos da segunda idade do Período Imperial.
1314
Invasão, pelo império Ciliano (ou Ciliarca), da Cidade do Portal. Início da primeira Guerra do Império das Sombras com uma potência estrangeira. Na verdade, nessa época o Império Ciliano estava no auge do seu poder com vastos territórios continentais, embora fosse originalmente insular. Cilion era localizada em uma pequena ilha rochosa ao sul da Península Oreânica. O pretexto utilizado pela potência estrangeira era de que os filhos da água teriam violado o monopólio ciliano no comércio marítimo, instituído unilateralmente no ano de 784. Embora os povos fracos do continente respeitassem este absurdo monopólio, o Império das Sombras jamais o reconheceu. Os cilianos logo aprenderiam que não poderiam lidar conosco da mesma forma que lidavam com covardes do continente.
1338
Fim da Guerra com a vitória do Império das Sombras, que consegue recuperar as terras perdidas. Além disso, temendo a possibilidade de uma tentativa de invasão de cidades cilianas na Península Oreânica, o Cinog (título do rei local) concedeu direitos aduaneiros para os senhores da Cidade do Portal, que passam a comerciar em Cilion. Com isso os filhos da água retiraram-se da guerra, obrigando o Imperador Loan Silai a recuar em suas pretensões de invasão.
1341
Revolta do Conselho de Veranor ou Sínodo Acsiano (seita de adoradores do Deus Sol), na verdade uma revolta de alguns comerciantes e nobres locais, que sob o pretexto religioso pretendiam recuperar os monopólios perdidos. O cinog acatou as reivindicações pleiteadas, iniciando uma nova crise que eventualmente levaria à Segunda Guerra contra os cilianos. Os filhos da água, prejudicados pelo fim de seus privilégios, estavam mais do que dispostos a lutar. Ao Império também interessava a guerra. Entretanto, o Imperador agora negava-lhes seu apoio, basicamente em represália pela retirada dos Zangalast no primeiro conflito.
1368
Mas a dívida não foi esquecida e o Império declarou guerra no ano de 1368, depois que um novo Imperador — convenientemente um Zangalast — assumiu o trono. Porém, a superioridade naval do império Ciliano era evidente. Apesar dos esforços de um ascendente Império das Sombras, a invasão de Cilion não era viável. O conflito, indefinido, persistiu por muitos anos, o que aliás já era excelente para os filhos da água, que começaram a trazer produtos diretamente do continente (sem os intermediários cilianos), principalmente a partir de Algar, e em menor escala de Tansis e Sib-li.
1374 a 1380
O Império Ciliano, porém, não assistiria as atividades lucrativas de seus inimigos passivamente. Utilizando-se de seu enorme poder continental, em 1374 conseguiu dissuadir os alguianos a continuar o comércio com os zainiquiares, sob ameaça de invasão. O mesmo argumento foi utilizado contra Delon (que controlava Tansis). Esta, porém, demorou mais a ceder e foi preciso que os alguianos fossem subornados e também pressionassem para que os portos de Tansis se fechassem para a Terra das Sombras. No caso de Sib-li, o Cinog não se daria ao trabalho de fazer ameaças. Em 1375 ele invadiu a cidade, dando início à guerra contra uma série de cidades-estado independentes, mas unidas entre si pela língua, pela cultura e pela sua história comum. O que o Cinog não esperava (ou ao menos subestimava) era a reação conjunta de todas elas. Foi mais ou menos o mesmo erro que cometeu o Larcon Atar Nossilai no ano de 312. A princípio (1375-1378), o exército baseado em Sib-li facilmente avançou, tomando Tad-noqui e sitiando Nor-maqui. A reação do norte, porém, foi brutal (sabe-se que os trolnaquianos consideram-se os únicos civilizados). Reforços vindos a partir da própria Trol-naqui, no verão de 1379, obrigaram os cilianos a retroceder. Foram progressivamente expulsos dos territórios conquistados. O cinog não se conformou e ordenou que seus exércitos continentais marchassem sobre Nor-maqui. Depois de algumas vitórias de ambos os lados, a guerra foi decidida na célebre batalha do Forte Pironeu (1380). Os trolnaquianos saíram-se vencedores. Depois deste confronto a guerra já estava decidida, menos de um ano se passou até que as cidades de Tad-noqui e Sib-li fossem libertadas.
1386
Apesar de um novo Cinog, de nome Leonat III, ter conseguido resistir ainda por alguns anos, enfraquecido pela guerra contra Trol-naqui, Cilion teve de capitular também para a Terra das Sombras, pois era evidente que se não o fizesse, uma invasão das cidades continentais aconteceria. Por isso, tentando dissuadir um inimigo bem mais poderoso, os Cilianos entregaram sua principal cidade portuária no continente, Zalcaris, além de restabelecer os direitos comerciais perdidos. Neste dia todos souberam que o antigo império insular estava com os dias contados e seria substituído por outro, só que muito mais poderoso, o Império das Sombras.
1402 a 1427
O Império Ciliano não era tão sólido como queria parecer. Na verdade, era formado por uma série de etnias que aspiravam sua libertação. As duas principais eram os sagrianos, que habitavam o norte da Península Oreânica, e os orgulhosos oreanos, que habitavam a Cidade do Delta (a qual, no passado, já tinha sido a sede de um grande império). Os cilianos eram norgam da tribo de Darnod, mas, no continente, preponderavam, entre os norgam, as tribos de Mironai e Quinos. Muitos destes grupos ansiavam pela queda do Império. Após a guerra cílio-trolnaquiana, na qual os cilianos praticamente exauriram seus exércitos continentais, ocorreram revoltas por toda a Península. Até 1427, porém, os cilianos conseguiram, com um grande esforço e por meio de numerosas concessões, suprimi-las. Apenas a Cidade de Oréu logrou conquistar sua independência em 1426. O domínio ciliano sobre os oreanos era ainda muito recente, não possuindo a legitimidade conferida pelo costume. A sua manutenção, portanto, era custosa demais, desviando recursos que poderiam ser aplicados para o reforço das posições cilianas no coração da Península, ou seja, em Galocar Antaniom.
1431
A destruição de Cilion interessava ao nosso Império. Já se tornara claro em Naquicaron que os cilianos eram como um guerreiro ferido, esperando apenas o golpe de misericórdia. Os ímpetos revoltosos precisavam tão somente ser coordenados para que fossem bem sucedidos. Logo ficou evidente que a coordenação deveria ser feita a partir de Galocar Antaniom. Esta cidade fora fundada e era habitada preponderantemente pelos sagrianos, um povo larani que, apesar de ser numeroso, sempre fora governado por estrangeiros. Eram fracos e covardes, mas tinham anseios de liberdade que poderiam ser utilizados. Dentre os sagrianos, os Bariad-Odani, uma das casas mais poderosas, eram sabidamente inimigos da tribo de Darnod, e portanto dos Cilonat-Veranor, mas aliados da tribo de Quinos, grupo mais populoso de Zalcaris e também de Zamiar do Norte. Por meio dos norgam de Zamiar, foram realizados os primeiros contatos com a mencionada casa, que culminaram na reunião sigilosa de 1431, realizada no Forte da Noventena, na qual, entre outras coisas, ficou acertado que se tentaria criar um reino larani no norte da Península, mas que esse reino não englobaria as cidades com maioria norgam (Zamiar do Norte e Jar-li), as quais se tornariam cidades-estado. O Império das Sombras financiaria a revolta que deveria se iniciar no ano seguinte em plena Galocar Antaniom.
1432
A revolta, porém, não ocorreu como previsto. Boa parte das casas larani não se juntou aos revoltosos, preferindo permanecer leais ao Império Ciliano e ao habilíssimo governador de Galocar Antaniom, Aquironei Cilonat-Veranor, que era parente do Cinog. A conspiração acabou sendo denunciada e parte dos conspiradores foi presa e executada. Parte, porém, conseguiu escapar para as Queialiam, levando consigo armas e ouro. Eram liderados por um jovem sagriano de vinte e cinco anos, natural de Jar-li, chamado Mentonat Alar-Sagri. Nas Queialiam o jovem líder teve contato com os averonitas, que se diziam remanescentes do antigo clã triot (fundador de Tritsi-lacar), que fora perseguido pelos oreanos. Os averonitas assim se chamavam porque acreditavam que os triot eram parte do que restava dos homens de Averonad, que supostamente já habitavam a Península desde antes da Grande Decadência. Com eles se aliou e muito aprendeu. No Império das Sombras, porém, considerou-se que o plano havia fracassado por completo. A única alternativa que parecia possível (apesar de bem mais custosa e difícil) era a intervenção militar direta. Afinal, não se podia entregar na mão de um larani o trabalho que só um zainiquiar conseguiria fazer.
1432 a 1444
De 1432 a 1438 os revoltosos ganharam terreno lentamente. Era impressionante a habilidade do seu líder em angariar alianças entre os larani. Combinando habilmente a alternativa militar com a persuasão diplomática, Mentonat conseguiu lentamente a simpatia de muitas das casas que se recusaram a apoiar a revolta original. Entretanto, seria exagerado supor que ele pudesse subverter o domínio ciliano sozinho, pelo menos não no curto prazo. A invasão zainiquiar, porém, precipitaria as coisas. Foi em 1442 que se deu o início das hostilidades. Na verdade, foram os cilianos que as iniciaram, quando perceberam o gradual envio de tropas para Zalcaris. Sitiaram nossa cidade portuária, mas não conseguiram invadi-la. Tampouco, a marinha de Cilion conseguiu comprometer seriamente o transporte das tropas, embora o tenha dificultado. O contra-ataque zainiquiar viria apenas no inverno do ano seguinte (1443) quando a maior parte das legiões que participariam da guerra já estavam na Península. Os cilianos resistiram bravamente, mas o cerco a Zalcaris acabou sendo rechaçado no início de 1444. Nesse meio tempo, com o progressivo deslocamento de suas forças para o sul, o poderio de Cilion em Galocar Antaniom havia sido seriamente enfraquecido, de modo que os rebeldes poderiam, se quisessem, liderar uma revolta bem-sucedida. Mas não foi exatamente isso que os revoltosos fizeram. Antevendo a completa vitória zainiquiar, e a conseqüente anexação das terras sagrianas pelos invasores, Mentonat encontrou-se com o governador de Galocar-Antaniom e, intitulando-se “a voz do povo larani”, ofereceu o apoio de sua gente aos cilianos, em troca de uma série de concessões. A mais importante delas: o próprio Mentonat seria nomeado o comandante das legiões do Norte. O ladino Aquironei Cilonat-Veranor aceitou sem reservas as condições dos rebeldes.
1445 a 1449
Mentonat reuniu suas forças, compostas parte por sagrianos, parte por averonitas, parte por cilianos e marchou para o sul. Sob a insígnia do Império Ciliano e com o governador de Galocar Antaniom como seu subordinado, ele defrontou-se com os zainiquiares que sitiavam a fortaleza de Tancara-Zanor. Nossos homens foram surpreendidos. Um ataque de grandes proporções vindo do norte era considerado improvável por nossos generais, que possuíam boas razões para acreditar que os cilianos não teriam mais como dispor de grandes exércitos. Por isso, o inimigo saiu vitoriosos e nosso avanço para o norte foi temporariamente suspenso. Os exércitos zainiquiares no sul da Península, porém, mantinham um domínio inconteste, e sobre eles Mentonat recusou-se a avançar. Sem o apoio dos nortistas, a lendária ilha-fortaleza acabou caindo sob o nosso controle após uma série de batalhas sangrentas que foram travadas entre a primavera de 1447 e o verão de 1449, culminando com a derrocada final de Cilion e a captura do último Cinog – Adornai Cilonat-Veranor. Nossas forças puderam, então, voltar-se para o Norte. O problema é que déramos tempo demais para Mentonat agir.
1450
Quando nossas forças chegaram à margem do Sagrion-larani, lá encontraram um enorme exército composto não somente de sagrianos e averonitas mas também de alguianos e oreanos. É que Mentonat negociara com esses povos. Prometera a Algar o domínio de Algarian-naqui (cidade alguiana que fora perdida para os cilianos após a Guerra da Grande Aliança, iniciada em 1213), e aos oreanos o seu incondicional apoio para a reconquista da cidade de Tomaxia. Aos zainiquiares, já devidamente dissuadidos de suas intenções belicosas, ele ofereceu o cumprimento dos termos do acordo sigiloso celebrado em Zamiar do Norte, o que interessava sobremaneira à tribo de Quinos, a qual tinha forte influência, à época, sobre os filhos da água (que, não se deve esquecer, também são um povo norgam). Sem dúvida, Mentonat se revelara um adversário formidável. Soubera ceder, quando devia ceder e lutar quando devia lutar. Sempre foi extremamente maleável, daí ter logrado conseguir o Grande Tratado de Zalcaris, que redefiniu as fronteiras dos reinos peninsulares, entre outras coisas, reconhecendo a incorporação de parte do sul da Península Oreânica ao Império das Sombras e criando o Império Médio (ou Nova Asságria). Para isso, teve de abrir mão de quatro cidades, mas se não o tivesse feito ficaria sem nenhuma. Por suas qualidades, ele fora apelidado de Gstoniam, nome de uma árvore extremamente maleável e resistente, muito comum no Norte da Península Oreânica. Não viveria, porém, para gozar suas conquistas. Sob circunstâncias misteriosas, o general foi assassinado no ano de 1452. O ex-governador de Galocar Antaniom, Aquironei Cilonat-Veranor, que se havia tornado um dos mais fiéis servos de Gstoniam, logo descobriu os assassinos e os puniu exemplarmente. Os Cilonat-Veranor acabaram tomando para si a tarefa de continuar a obra da “Nova Asságria”, já que Mentonat não tinha herdeiros. Embora nunca tenham existido evidências concretas, não são poucos os que desconfiam do envolvimento de Aquironei na morte do general.
1602
Após a queda do Império Ciliano, um novo período de paz e estabilidade iniciou-se. É que nossas ambições expansionistas não poderiam ser realizadas enquanto os demais reinos peninsulares estivessem dispostos a lutar contra nós em conjunto. Algar, Galocar Antaniom, a Cidade do Delta e mesmo Delon estavam prontos a se unir contra nós em caso de um ataque a qualquer deles. Visavam, por esse artifício, impedir que o nosso reino ocupasse posição semelhante à do antigo Império Ciliano. Os fracos, assim unidos, ficaram mais fortes, e, por um certo tempo, a estratégia foi bem sucedida. Entretanto, a ascensão de Lacmorat Gáris, em 1602, ao trono de Algar, poria um fim nesta tácita aliança.
1607 a 1609
A princípio, o novo rei de Algar, que assumira com trinta e dois anos de idade, adotaria uma postura muito semelhante a de seus antecessores. Manteve a aliança com os demais reinos peninsulares e, no plano interno, não realizou grandes transformações. Tudo mudaria no ano de 1607, quando ocorreu a questão de Quinos. A casa de Gáris e outras quatro ou cinco famílias da confiança do Rei sempre possuíram estreitas relações comerciais e de amizade com os norgam de Cilion, da tribo de Darnod. Isso possibilitou que essas poucas famílias, praticamente desde a época da ascensão do rei oreano Aloniran Tomax (ano 401), mantivessem o monopólio do comércio em Algar e também do comércio alguiano com outras cidades. O poder da tribo de Darnod, entretanto, estava decaindo rapidamente. Mesmo em Cilion, casas pertencentes à tribo de Quinos e nobres zainiquiares (notadamente os norgam da tribo de Cigorat) começaram a assumir as posições mais importantes. Esse fato não teria tido maiores conseqüências (afinal, no fundo, era apenas uma troca de fornecedores) se a tribo de Quinos não escolhesse outros a quem vender, quebrando assim o antigo oligopólio. A reação do Rei, a princípio branda, foi se intensificando por pressão das casas prejudicadas pela mudança. Mesmo assim, até 1609, o Rei Lacmorat não determinara mais do que uma dúzia de prisões temporárias e a apreensão de alguns estoques de mercadorias ilegais, sem atingir fortemente os novos comerciantes. Ao que parece, o Rei era partidário de uma solução de consenso, segundo a qual se flexibilizaria o oligopólio, com a inclusão de cinco ou seis novas casas. Ocorre, porém, que Lacmorat e sua família sofreram um atentado, no qual a Rainha faleceu e um de seus filhos (justamente o primogênito) foi gravemente ferido. Após rigorosa investigação, a culpa foi atribuída aos novos comerciantes, os quais, supostamente estariam tentando criar um equivalente alguiano para o Conselho de Veranor, por sugestão de nomes importantes da tribo de Quinos. A partir daquele momento, a atitude do Rei se transformaria radicalmente.
1610 a 1622
Por cinco anos (1610 a 1615), Lacmorat dedicou-se aos expurgos internos. Perseguiu todas as casas que supostamente poderiam pertencer ao grupo de traidores. Em sua ânsia por sangue, não foram poucos aqueles que foram condenados à morte e muitos mais tiveram os bens expropriados e foram banidos. Aquele era um tempo em que se praticava em Algar um jogo muito perigoso, em que uma mera delação anônima era muitas vezes suficiente para abrir as portas da ruína e do suplício. O terror desse período é realmente difícil de estimar para quem não o vivenciou. Felizmente, a partir de 1615, embora não julgasse ter eliminado por completo os focos de traição, o Rei diminuiu as perseguições, pois passou a concentrar-se em outro objetivo: criar o mais poderoso e bem treinado exército da história da Península. Esse feito tomou-lhe sete anos de cuidadosa e metódica preparação. Nesse meio tempo, passou a ter uma atitude hostil para com outros reinos, em especial para com o Império Médio, Zamiar do Norte e em menor grau para com Delon. O ódio do Rei, na verdade, dirigia-se principalmente contra os zainiquiares (conquistadores de Cilion), mas, por um bom tempo, esforçou-se ao máximo para esconder os seus propósitos.
1622 a 1632
No inverno de 1622, o Rei Lacmorat Gáris fez uso pela primeira vez de seu bem preparado exército. Pôde finalmente vingar-se dos norgam da tribo de Quinos invadindo a cidade de Zamiar do Norte. A invasão foi rápida: apenas dois dias de luta e o lendário Forte da Noventena caía. O Império Médio, antigo aliado de Zamiar, tentou libertar a cidade, mas foi rechaçado naquela que ficou conhecida pelos larani como a Batalha de Sangue (taral-3, 1623), na qual o exército sagriano foi destroçado. O Rei Lacmorat, sentindo-se encorajado, resolveu invadir o Império Médio. Uma parte do exército alguiano avançou para o nordeste, sitiando Galocar Antaniom, outra parte foi para o sul e investiu contra Tancara-Zanor. O Império Médio conseguiu envolver Jar-li e a Cidade do Delta na guerra, mas não os delones. As forças da chamada Aliança Trina confrontaram o exército alguiano ao sul do Sagrion-larani. Apesar das vitórias iniciais em Tancara-Zanor, durante o outono de 1624, nas batalhas da Floresta do Silêncio (ocorridas durante o final de 1624 e o início de 1625) e finalmente na grande batalha de Algarian-naqui (disroel-4, 1626), as forças da aliança foram definitivamente derrotadas. Galocar Antaniom continuava resistindo, mas não conseguiria agüentar por muito mais tempo o cerco de Algar. Por esse motivo, o Imperador Alaran III foi forçado a negociar a paz em termos bastante favoráveis a seus inimigos, concordando em ceder a cidade portuária de Laguir-Zamiar e a pagar uma farta compensação em ouro, também arcada pelos oreanos. O Rei Lacmorat estava mais do que satisfeito. O que pretendia era isso mesmo: enfraquecer os demais reinos peninsulares para que não pudessem apoiar os zainiquiares quando o exército de Algar invadisse o sul da Península. Não era segredo que Alaran III era um bom amigo do Império das Sombras (dois de seus filhos, inclusive, chegaram a ser enviados para estudar na Terra do Vento). Talvez fosse exagerado pensar, entretanto, que o Império Médio se aliaria conosco contra os alguianos. Entretanto, Lacmorat acreditava que esta era uma possibilidade real e queria evitar esse risco. Seu intento foi alcançado, pois no final da guerra, o Império Médio estava, de fato, enfraquecido demais para nos prestar qualquer apoio. Do acordo de Algar, que pôs fim à guerra, em 1627, até o ano de 1632, o Rei ocupou-se em fortalecer seu exército o mais que pôde e durante esse tempo tornou-se o senhor mais poderoso e temido na Península Oreânica. O período que vai de 1622 a 1632 é por nós nomeado de decênio alguiano.
1633 a 1636
Até então, o Império das Sombras não se envolvera nas hostilidades porque estávamos muito ocupados equacionando pendências internas. Descreve-las-ei rapidamente. Em 1624, morrera o já idoso Imperador Daicar Norbest. O nome de consenso entre os nobres para substituí-lo era o de Liurom Fanor, filho primogênito do senhor da Terra da Pedra. Ele, de fato, foi eleito pelo Conselho e assumiu, mas acabou falecendo de uma enfermidade dois anos mais tarde (inverno de 1626), criando um impasse na sucessão. Tairon Norgat, senhor do mais próspero dos clãs, os filhos do fogo, candidatou-se ao trono. Os filhos da água e os filhos do tempo se opuseram à sua candidatura veementemente. Temiam o poder que a casa Norgat possuiria caso subisse ao trono. No entanto, os outros três clãs (filhos do aço, filhos do vento, filhos da pedra) pareciam não ter fortes objeções ao nome de Tairon. Criou-se um impasse. Embora Tairon pudesse ser eleito, sofreria a oposição direta de dois clãs poderosos e, possivelmente, não receberia muito apoio no caso de uma guerra no Continente do Norte. Mesmo assim, não parecia estar disposto a desistir do trono. Pela primeira vez desde a criação do Conselho, os dissidentes ameaçaram abertamente não respeitar sua decisão e recorrer às armas. O clima de tensão chegou ao ápice no final de 1627, quando a eleição teria lugar. No último momento, Tairon retirou seu nome e o Conselho nomeou dois cônsules que governariam até que se encontrasse outro candidato. Um ano depois, em nova reunião extraordinária, o Conselho de Escaelos aclamaria, por consenso, o velho Naogon Lamir-Vonin Linriarod, senhor da Terra do Aço como o novo larcon. Caberia a ele conduzir a guerra na Península. No Império das Sombras, estávamos cientes das atividades alguianas e ninguém duvidava que o exército de Lacmorat acabaria por se voltar contra nós. Por isso, assim que assumiu, o Larcon não tardou a iniciar o transporte de tropas para o Continente do Norte. Em 1632 nós já nos julgávamos praticamente preparados, mas foram os alguianos que iniciaram as hostilidades. A maior parte de nossas forças estava nas cidades do sul da Península, pois acreditávamos que era lá que os alguianos atacariam. Lacmorat, porém, tentou invadir a ilha-fortaleza! Uma enorme frota conduziu os exércitos inimigos à Cilion. A cidade não estava suficientemente guarnecida para suportar o ataque maciço dos alguianos e foi invadida e incendiada. Depois de fazer o mesmo com Zamiar do Sul, Lacmorat simplesmente retornou com seu exército para a Península. Nesse meio tempo, porém, nossas forças continentais avançaram, invadindo Laguir-Zamiar e dividiram-se em dois grupos: um rumou para Algar e outro para Algarian-naqui, que acabou conquistada. No início de 1633, Zamiar do Norte foi libertada. Nada disso, porém, escapava às maquinações de Lacmorat. O que ele queria era exatamente que nosso exército se dividisse. Desembarcou com suas forças nas proximidades do Lago Salgado e marchou em direção a Algar. Acabou conseguindo romper o cerco, retornando, em seguida, para as terras zainiquiares, atacando e destruindo Tritsi-lacar e Zamiar Intermédia. Zalcaris foi sitiada. Tais derrotas causaram escândalo em Naquicaron e na própria Península, pelo banho de sangue que o louco rei alguiano estava promovendo. No início de 1634 foi formada uma aliança contra os Gáris, que envolvia todos os reinos peninsulares, inclusive Delânia (que pouco participou dos embates). O único reino que se manteve neutro foi a Confederação Trolnaquiana, cuja postura tradicional era de isolamento. O que restava do nosso exército voltou do norte e, juntamente com as tropas oreanas e do Império Médio, derrotou Lacmorat em Zalcaris, forçando-o a retroceder para Algar. O erro dos nossos inimigos foi ter subestimado a capacidade defensiva de Zalcaris. Esperavam invadir a cidade e, por conseguinte, poder contar com a proteção de suas muralhas quando nossas tropas chegassem. Nossos defensores, porém, lutaram bravamente, impedindo esse desfecho. A derrota de Lacmorat em Zacaris deu um novo rumo ao conflito. Durante os anos seguintes, enviamos mais e mais reforços que engrossaram as fileiras da aliança. As batalhas decisivas foram travadas, a partir de então, em terras alguianas. Em 1636 Algar foi conquistada.
(os eventos que se seguiram na história peninsular fazem parte do período que se convencionou chamar de "A Guerra das Sombras", descritos, sob óticas variadas, nos livros que compõem o romance.)