História da Península Oreânica
“ANO 1p.e.: ‘Muito além da grande Serra que reveste o horizonte, nossa gente viveu por incontáveis dias cósmicos. (...) Em razão das faltas humanas é que veio a Grande Punição. Desgostosos, os deuses puniram os homens, transformando as verdes terras em desertos’. É assim que Alonisor Goma inicia a incrível narrativa dos feitos do fundador de sua cidade natal, Oréu. Do norte ele imigrou com seu povo e no delta do Air-Queiaogan sua tribo passou a viver. Real ou fictícia, pouco importa, é esta história o marco inicial do calendário peninsular.
ANOS 1-102p.e.: Da mesma forma que a mítica tribo de Oréu, outros clãs migraram para a fértil Península Oreânica neste período, fazendo surgir muitas vilas que se converteriam, no futuro, em cidades. Como exemplos, podemos citar Liog Zaniod e Galocar Antaniom (fundadas pela Tribo de Sagrion), e Tritsi-lacar, do clã de guerreiros triot, que tanto perturbaria os alguianos. Uma pequena observação é de rigor: os descendentes dos triot sempre clamaram que sua gente já se encontrava na Península quando os oreanos chegaram. Afirmam que são parte de uma tribo mais ampla, os homens de Averonad, que seriam os senhores de direito de nossa península. Isso explica, em parte, sua ferocidade para com as outras tribos.
ANO 102p.e.: Fundação de Algar. Vindos pelo mar, o nosso povo, cansado da guerra, instalou-se a sudeste de uma cadeia de montanhas rochosas e a oeste do belo Lago Salgado.
ANO 107p.e.: Fundação de Delon no extremo oeste dapenínsula.
ANO 138p.e.: O clã triot ataca Algar. A cidade é pilhada. Os alguianos restantes são obrigados a fugir para as montanhas, das quais retornam apenas trinta e nove anos depois.
ANO 172p.e.: A então pequena cidade de Algar aceita associar-se à poderosa e mais antiga Cidade de Oréu em troca de proteção contra os triot. A associação com a Cidade do Delta teve, no longo prazo, grandes conseqüências, como adoção do calendário peninsular e da língua de Oréu pelos alguianos.
ANO 182p.e.: Com base na teologia da Grande Lacuna, a paz é finalmente celebrada entre Delon e Algar. O grande nome de tais negociações foi o teólogo Nacolin de Gáris. Em homenagem à Tribo Ierônica (ou Tribo Antiga), fundadora de Delon, e como prova de boa-fé, Nacolin batizou as montanhas que separavam os domínios de ambos os povos de Iero-Lian (As montanhas Antigas, também chamadas de Montanhas Velhas).
ANO 182 – 250p.e.: Algar prospera, mas os pesados impostos devidos pela relação de vassalagem com a Cidade de Oréu passam a ser encarados cada vez mais como algo inaceitável. Também a autonomia, tão cara ao nosso povo, foi progressivamente diminuída pelos oreanos. O próprio Rei de Algar era forçado a habitar a Cidade de Oréu, como se fosse um prisioneiro. Esse estado de coisas levaria a uma inevitável guerra pela independência, especialmente se considerado que há muito os triots não representavam mais qualquer ameaça.
ANO 272-292p.e.: Aliado com a tribo de Sagrion e com Delon, Algar travou uma longa e difícil guerra com os oreanos, atingindo por fim seus objetivos no ano de
292p.e., quando o Rei Taréu de Valinod e Aran reconheceu a autonomia alguiana e delimitou o território de Algar, que passou a compreender as terras a oeste do Lago Salgado. Os sagrianos, porém, não tiveram a mesma sorte, pois, uma vez obtidas as reivindicações, foram abandonados por seus aliados. Este foi o preço infeliz que tivemos que pagar por nossa liberdade.
ANO 292-420p.e.: Período da Primeira Grande Paz. Sem grandes invasões, os povos peninsulares prosperaram.
ANO 420p.e.: Início das Novas Migrações. Um povo larani conhecido como a tribo de Iadi chega a Delon. Apesar dos desentendimentos iniciais, no ano de 425p.e. as duas tribos assinaram um acordo pelo qual dividiriam o mesmo reino. O governo exercido pelo Conselho dos Doze e por dois reis, um de cada tribo, é o fruto mais evidente deste pacto. A tribo de Iadi também concordou em se converter à fé de Delon. A partir da chegada desta tribo, o isolamento de Delânia se tornou cada vez maior.
ANO 447p.e.: Além do Deserto da Separação, os trolnaquianos começam a fundar suas três cidades ao sul da Serra Arcônia. Este arrogante povo provou, mais tarde, ser extremamente hostil aos reinos peninsulares.
ANO 458-552p.e.: Chegada dos norgam. Grandes navegadores e comerciantes, os norgam chegaram em levas progressivas, instalando-se pacificamente na pequena povoação de Zalcaris. Como eram aliados dos oreanos, foi permitido a este povo fazer morada na Península. Até o ano de 552, levas progressivas de norgam fundaram várias cidades (tais como Zamiar do Norte e Intermédia e Laguir-Zamiar). O conhecimento que os imigrantes tinham de rotas marítimas permitiu que o Trono de Oréu lucrasse imensamente por meio do comércio com outros povos. Por isso, incentivaram mais e mais migrações. Mal podiam mensurar as conseqüências futuras de seus atos.
ANO 572p.e.: Ano em que ocorreu a cisma de Ainoig. Os Cilonat, membros da tribo de Darnod, eram, talvez, a mais próspera casa norgam, possuindo uma enorme frota de navios mercantes e lucrando também com o comércio continental. Está registrado que os Cilonat comerciavam até mesmo com a cidade trolnaquiana de Nor-maqui, através do Forte Pironeu ou Pairom (construído em 503 pelos normaquianos) e da contígua vila de Jar-li, que nasceu e cresceu com base neste comércio. Tanta prosperidade causou inveja no Trono de Oréu. A rainha Alariaesar, forjando provas de um suposto crime de traição, acabou por submeter a casa de Cilonat ao Sagrado Tribunal de Ainoig. Num processo fraudulento, os Cilonat foram condenados e banidos, a maior parte de seus bens foi confiscada. Muitos, inclusive o patriarca do clã, foram condenados à morte. A tribo de Darnod, como um todo, também passou a ser perseguida. Entretanto, nem os Cilonat nem sua tribo pereceram. Vagaram pelo oceano até uma ilha pedregosa ao sul da Península. Lá fundaram Cilion e passaram a se chamar cilianos.
ANO 572-683p.e.: Cilion prosperou. Tornou-se importante entreposto das rotas marítimas que somente os norgam eram capazes de singrar. Entre os norgam, os cilianos eram os melhores. Como dizia o sábio Leonat de Cilion, "o banimento foi mais uma benção que um castigo. Por causa dele, e apenas por causa dele, não perdemos as antigas tradições de navegação. Vamos a lugares que os norgam peninsulares até esqueceram que existem. Em Cilion estamos eternamente ligados ao mar" (trecho da obra ‘Reflexões’ — Biblioteca de Algar). Já em 683p.e., a frota de Cilion dominava os mares. Muitos eram os produtos que forneciam com exclusividade, e nada deviam, em poder e riqueza, ao trono de Oréu.
ANO 684-702p.e.: Período da grande guerra cilio-oreana. Durante este conflito, os oreanos tentaram em vão invadir a ilha-fortaleza de Cilion. Apesar das vitórias iniciais, logo ficou claro que este feito estava além das forças oreanas. A despeito da insistência do trono de Oréu, a paz acabou por ser assinada em 702p.e., mesmo porque tornara-se evidente que algumas cidades, como Zalcaris, de maioria norgam, estavam prestes a se sublevar. Os cilianos não tinham, nesta época, ambições expansionistas. Por isso, contentaram-se com uma farta indenização em ouro.
ANO 705p.e.: A antiga casa Valinod-Aran, que governara a Cidade do Delta desde sua fundação, perdeu prestígio entre os oreanos em razão da humilhante indenização paga a Cilion. Aproveitando-se da morte do rei (que possivelmente foi assassinado), os conspiradores tomaram o poder, iniciando uma nova dinastia. Um dos mais prestigiados generais do reino e um sério opositor da paz de 702p.e., Aloniran Tomax, foi coroado rei. A primeira medida do novo soberano foi a de exterminar todos os Valinod-Aran, alguns dos quais assassinou pessoalmente! Os que escaparam foram perseguidos no que ficou conhecido como o “Outono de Sangue”. Pelo que consta, nenhum deles sobreviveu. Apesar deste início violento, o reinado Aloniran foi marcado pelo pragmatismo. Ao contrário do que muitos pensavam, o novo Rei estreitou as relações com os cilianos e normaquianos, incrementando ainda mais o comércio. Este estreitamento, porém, não pôde ser feito abertamente, pois o Rei temia ter o mesmo destino de seu antecessor. Por isso, utilizou Algar, que passou a receber os produtos cilianos e a distribuí-los por todo o domínio oreano até Jar-li, de onde os produtos partiam para o "mundo civilizado" trolnaquiano, tanto em sua porção meridional como para além da Serra Arcônia. Esta associação foi extremamente vantajosa para todas as partes, especialmente para Algar, que conheceu um período de imensa prosperidade.
ANO 705-823p.e.: Período da Segunda Grande Paz. Finalmente a estabilidade havia sido atingida, após os conturbados duzentos e oitenta e cinco anos que sucederam às migrações.
ANO 823-830p.e.: A segunda grande paz terminaria em 823p.e., quando, utilizando-se de um pretexto comercial, as três cidades meridionais trolnaquianas, lideradas por Nor-maqui, invadiram Liog Zaniod e sitiaram a vizinha vila de Tomaxia. Os trolnaquianos consideravam os preços cobrados por Cilion exageradamente altos. De fato, os cilianos, como monopolistas em muitas de suas rotas marítimas, gozavam de lucros elevados. Entretanto, o que agravava o conflito eram as taxas (também consideradas abusivas) cobradas por dois intermediários: Algar e o Império do Delta. É claro que isto tudo se somava às ambições expansionistas do ‘mundo civilizado’ trolnaquiano, que pretendia conquistar os ‘reinos bárbaros’ da Península Oreânica. Desde o princípio, o trono de Oréu, ocupado então pelo Rei Aranoin Tomax, se mostrou incapaz de se defender dos invasores. Apenas com os reforços vindos de Cilion e de Algar, o conflito equilibrou-se. Tais reforços, porém, chegaram apenas quatro anos depois do início do conflito, pois nem Algar, nem Cilion eram exatamente aliados dos oreanos. Apenas quando ficou evidente que os interesses de ambos seriam prejudicados, é que resolveram interferir. Quando a ajuda chegou, porém, as forças oreanas estavam praticamente exauridas (a Cidade de Oréu estava sitiada e quase todas as demais povoações do Império, conquistadas). Felizmente, os trolnaquianos também tinham sofrido graves perdas e, no médio prazo, não seriam capazes de enfrentar as forças combinadas de Cilion e Algar. A conquista de Jar-li e do forte Pironeu selou a vitória aliada em 830p.e.
832-850p.e.: O resultado imediato mais evidente da guerra trolnaquiana foi o chamado Protetorado Ciliano, que se iniciou no ano de 832p.e. e perdurou por dezoito anos. Com o esfacelamento das forças do Império Oreano e a ocupação de fato da maior parte da Península pelos cilianos (e em menor escala pelos alguianos), o Trono de Oréu encontrava-se na situação mais delicada de sua história. A própria cidade do Delta não teria condições de resistir a uma invasão. Tudo o que Imperador Aranoin Tomax tinha a seu favor era o histórico desinteresse ciliano por conquistas militares. Utilizou-o bem. Basicamente o que fez foi contratar Cilion e seu exército para que mantivessem a ordem em seus domínios. Os cilianos passaram, desta forma, a atuar como mercenários, de sorte que, pelo menos formalmente, o Império continuava sob o comando dos oreanos, e seria gradualmente retomado por eles dentro do prazo de vinte anos. Como o Trono de Oréu estava falido, os cilianos seriam pagos por meio de parte da receita dos impostos obtidos nos domínios sob sua administração. Estes foram os termos do acordo de Zalcaris que, em 832 p.e., instituiu o Protetorado Ciliano sobre a Península. Com este tratado, o Rei conseguiu ganhar tempo, adiando a queda do Império Oreano. Por outro lado, os cilianos lograram legitimar seu domínio de fato, diminuindo, assim, o risco de revolta, principalmente das tribos mais antigas, que não eram de origem norgam. Finalmente, Algar foi beneficiada com o domínio da Cidade de Zamiar do Norte.
850p.e.: Estava claro, porém, que um acordo como este não podia chegar a bom termo. O fato é que o Império Oreano tinha apenas conseguido uma certa sobrevida, mas não poderia evitar a sua morte. Com o passar dos anos, ninguém mais ignorava que o Protetorado Ciliano não seria transitório. A devolução gradual do controle sobre as cidades ocupadas não se efetivou. Também o repasse da parcela dos impostos devidos ao Trono de Oréu (que excediam a verba destinada ao pagamento dos cilianos) foi sendo gradualmente minorado. Os cilianos tinham boas desculpas. Argumentavam que o Trono de Oréu não tinha homens nem estrutura logística para retomar o controle do seu vasto território, o que era verdadeiro. A retenção de recursos também se justificava na ótica dos cilianos, já que estes eram utilizados para a reconstrução das cidades destruídas. A princípio estas explicações satisfizeram os oreanos, mesmo porque eles não tinham muitas opções. A única coisa que não estavam dispostos a aceitar era que o Protetorado se eternizasse. Mas era exatamente isto que inevitavelmente estava para acontecer. Quando os cilianos, em 849p.e., propuseram a renovação do acordo por mais cinqüenta anos, o que restava do exército oreano tentou reocupar os territórios perdidos. Os cilianos, porém, estavam mais do que preparados para o conflito. Mal os oreanos conseguiram vencer a guarnição inimiga em Jar-li, tiveram que se defrontar com o enorme exército baseado em Zalcaris, que marchou para o norte assim que chegaram as notícias do ataque. A diferença de forças era gritante. Menos de dois meses após o início das hostilidades, Jar-li havia sido reocupada e a Cidade do Delta, sitiada. Para evitar a invasão de sua capital, o Trono de Oréu foi obrigado a reconhecer a supremacia dos cilianos sobre os territórios do antigo império, excetuando apenas a própria Cidade do Delta. Era o ano 850p.e., o início do Império Ciliano.
850-1413p.e.: este enorme período de tempo ficou conhecido como a Terceira Grande Paz ou a Paz Ciliana. Constituiu-se num intervalo muito maior do que os outros dois períodos de paz prolongada. Isto porque o novo império era detentor de riqueza e poder sem precedentes, e tinha, em conseqüência, condições de reinar sobre a Península de forma inconteste. Durante todo o longo período que se estende até 1413p.e., os cilianos simplesmente não encontraram adversários a sua altura. Não que não tivessem inimizades. Tanto Delânia como as cidades trolnaquianas, que tinham em comum o gosto pelo isolacionismo, temiam um império tão poderoso quanto o ciliano. Tal receio intensificou-se na medida em que Cilion passou a utilizar a força como instrumento para fazer valer seus interesses. Sintomático a este respeito foi o édito de 1088p.e., que simplesmente determinou que o transporte marítimo de mercadorias passara a ser monopólio dos cilianos. Para Delon e principalmente para a cidade trolnaquiana de Sib-li, ambas possuidoras de grandes frotas mercantes, os prejuízos potenciais eram incalculáveis. Por razões óbvias, os cilianos jamais conseguiram impor seu monopólio por completo, mas não deixaram de causar fortes prejuízos aos seus potenciais concorrentes. Quanto a Algar, os dias de glória dos tempos da Segunda Grande Paz eram águas passadas. A intermediação através do porto da cidade não era mais necessária. As rotas foram sendo progressivamente desviadas para Zalcaris, que passou a prosperar. Com tantos descontentes, era de se esperar que houvesse rebeliões, e estas efetivamente ocorreram. Nenhuma delas, porém, constituiu séria ameaça ao domínio ciliano. Não entraremos em detalhes, mas podemos citar alguns exemplos:
Em 930p.e., comerciantes de Jar-li revoltaram-se contra o governo, exigindo o reincorporação da cidade no domínio oreano. Aparentemente os velhos comerciantes estavam sendo substituídos por outros pertencentes à tribo de Darnod, e visavam, com a reincorporação, recuperar os privilégios perdidos. A revolta durou menos de um mês. Os cilianos buscaram uma solução de consenso.
Em 1089p.e., Sib-li declarou guerra a Cilion em razão do édito de 1088p.e., que estabeleceu o monopólio no comércio marítimo. Os cilianos simplesmente ignoraram a declaração até que a frota da cidade trolnaquiana zarpou de seu porto. Cilion então enviou uma de suas seis frotas e tudo se resolveu em uma única batalha, no 1092p.e., com a previsível vitória ciliana.
Em 1203p.e., houve um problema na sucessão, pois o Cinog Norgarom IV, membro da casa Cilonat-Agranorim, morreu sem deixar descendentes. Em conseqüência, o senhor do outro ramo dos Cilonat, os Cilonat-Veradim, que governavam Galocar Antaniom, assumiu o trono. Muitos haviam sido os interesses contrariados pelo novo cinog, pois ele trouxe consigo o seu séqüito, colocado em posições chaves do governo. Por isso, acabou tendo que enfrentar três sérios atentados contra a sua vida. O último deles foi bem sucedido. Mesmo sem provas concretas, os Agranorim foram responsabilizados, perseguidos e assassinados. Culpados ou não, serviram de exemplo, de sorte que o novo cinog, filho do assassinado, pôde governar sem grandes turbulências.
1415-1421p.e.: No ano de 1415p.e., foi deflagrado o conflito que ficou conhecido como a Guerra da Grande Aliança, a primeira ameaça real à hegemonia ciliana. Alinosor Goma, em sua obra clássica “História da Península Oreânica”, dedica longas páginas para descrevê-lo. Aqui somos forçados a ser extremamente sintéticos, e portanto estaremos necessariamente simplificando e distorcendo um pouco os fatos. É possível afirmar, no entanto, que a Guerra da Grande Aliança teve uma causa básica: a insatisfação contra o Império Ciliano. Os reinos peninsulares ansiavam por uma maior autonomia em relação a Cilion, mas não tinham meios para conquistá-la. Uma crise na sucessão do Império, porém, dar-lhes-ia a chance que tanto buscavam. É que o Cinog Danorai Cilonat-Veradim morrera sem deixar filhos do sexo masculino. Embora a lei ciliana fosse relativamente dúbia, era difícil discutir que o sucessor de direito era o seu meio-irmão Ameronin Cilonat-Veranor. Entretanto, Normar Cilonat-Veradim, governador de Galocar Antaniom e primo do Cinog morto, reclamou o trono para si. Os reinos peninsulares (excetuados os trolnaquianos) resolveram apoiar as pretensões de Normar, em troca de algumas promessas, como a revogação dos éditos de 1088p.e., que instituía o monopólio marítimo ciliano, e de 1409p.e., que dava ao Cinog o direito de se imiscuir em questões sucessórias dos demais reinos da Península. Oreanos, alguianos e delones, marcharam ao lado das legiões do norte, leais a Normar Cilonat, e conseguiram algumas vitórias no sul da Península. No inverno de 1416p.e., a aliança controlava todas as cidades cilianas no Continente, à exceção de Zalcaris. Por um ano, aproximadamente, houve poucas hostilidades, pois se criara um impasse. A aliança sitiava Zalcaris, mas não conseguia invadi-la. Outrossim, a supremacia naval dos insulares era incontestável e a ilha-fortaleza, muito bem guarnecida, era, naquele momento, praticamente impossível de invadir. Falava-se mesmo na possibilidade de um acordo de paz e na divisão do Império Ciliano em duas partes: o do norte, sediado em Galocar Antaniom, e o sul, com capital em Cilion. Este desfecho seria excepcional para os demais reinos peninsulares, uma vez que o Império, fragmentado desta forma, não teria a mesma força de antes. No final de 1417p.e., entretanto, o Cinog resolveu quebrar o impasse, fazendo valer o seu poder. Ele próprio desembarcou nas proximidades do lago salgado com um enorme exército. A guerra, a partir de então, tomaria um novo rumo. Até 1418p.e. os cilianos legalistas conseguiriam uma série de vitórias sobre as forças da aliança, que perderam boa parte do que haviam conquistado. Foi quando os delones entraram em cena. Com sua história de isolacionismo, eles pouco haviam participado das forças da aliança até então. Uma omissão naquele momento, porém, significaria nada menos que a ruína de Delon no médio prazo. Com o efetivo engajamento dos delones, a guerra foi progressivamente mudando de rumo novamente. A batalha decisiva foi travada em Zamiar Intermédia, com a derrota do Cinog, que, a despeito disso, conseguiu fugir, retornando a Cilion. No início de 1419p.e., até mesmo Zalcaris havia caído e Cilion não estava mais tão bem guarnecida quanto antes. O Cinog, porém, não se dera por vencido. Ele possuía um plano alternativo para o caso de a força bruta não funcionar. Por meio de uma série de concessões oferecidas secretamente aos nobres cilianos residentes na Península, o soberano conseguiu o apoio de tais homens poderosos que, no devido tempo, por meios astuciosos, deram cabo do despótico Normar Cilonat. Esses mesmos nobres, então, traíram seus aliados continentais, conduzindo as legiões sob seu comando contra as forças alguianas e delones (Batalha da Traição – nocloel-4 1420p.e.). Com o apoio do que restava das forças do norte, os cilianos derrotaram a aliança. Um acordo de paz foi assinado um ano depois da Batalha da Traição. Algar, em virtude da guerra, perdeu o domínio de Zamiar do Norte e Algarian-naqui. Só recuperaríamos esta última quando o Império Ciliano caísse e as fronteiras peninsulares fossem redefinidas no Grande Acordo de Zalcaris, de 1753p.e..
Com o fim da Grande Aliança, houve um novo período de paz, sob a hegemonia ciliana, que seria perturbado apenas quando um novo reino começasse a participar da história da Península. Trata-se da ilha Zainíquia, também conhecida como Império das Sombras, cujo território os cilianos tentaram invadir em 1617p.e.. Este é o tema do próximo capítulo .”
a história posterior da Península é relatada conjuntamente com a segunda era da Ilha Zainíquia
a história posterior da Península é relatada conjuntamente com a segunda era da Ilha Zainíquia
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